# Aleijadinho
**Aleijadinho** (1738–1814) é a prova de que o gênio não pede permissão às circunstâncias. Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica — atual Ouro Preto — filho de um arquiteto português com uma escrava africana. Mulato numa sociedade escravocrata, autodidata numa colônia sem academias de arte, trabalhou com as ferramentas que tinha. E o que fez com elas desafia a imaginação de qualquer época.
A partir dos quarenta anos, uma doença degenerativa — possivelmente hanseníase ou porfiria — começou a deformar suas mãos e pés. Os dedos se curvaram, os movimentos se tornaram agonia. Aleijadinho mandou amarrar o cinzel e o martelo aos punhos e continuou esculpindo. As peças que criou nessa fase — os doze profetas de Congonhas do Campo, os passos da Via Crucis — estão entre as maiores obras de arte já produzidas nas Américas. Cada profeta em pedra-sabão carrega uma expressão que parece viva, uma tensão entre o sagrado e o humano que nenhum artista europeu da mesma época superou.
Trabalhou em igrejas de Ouro Preto, São João del-Rei, Sabará e Congonhas, deixando uma trilha de beleza pelo interior de Minas Gerais. Morreu pobre, esquecido e deformado em 1814. Só décadas depois o Brasil começou a entender a dimensão do que aquele homem havia criado — sozinho, com dor, num canto remoto do mundo colonial. Hoje, suas obras atraem visitantes do planeta inteiro e são reconhecidas pela UNESCO como patrimônio da humanidade.
## Legado
Aleijadinho criou uma linguagem artística brasileira antes de o Brasil existir como nação independente. O barroco mineiro, tal como ele o moldou, não é cópia do barroco europeu — é uma expressão original, que mistura influências portuguesas, africanas e indígenas numa síntese que só poderia ter nascido aqui. Congonhas do Campo é seu testamento: doze profetas que falam em português de pedra.
## Por que homenageamos
Aleijadinho demonstrou, há quase três séculos, que a excelência não depende de condições ideais nem de chancelas estrangeiras. Criar com o que se tem, onde se está, usando referências próprias — esse é o espírito que o brasileiro.tech celebra.
Artes