# Betinho
**Herbert José de Souza** (1935-1997), o Betinho, era magro como um graveto, hemofílico, soropositivo, e mesmo assim conseguiu mover um país inteiro. Em 1993, quando o Brasil estava anestesiado por escândalos de corrupção e hiperinflação recente, ele lançou a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida — e de repente milhões de brasileiros estavam doando alimentos, formando comitês, se perguntando por que haviam aceitado a fome como paisagem natural.
Betinho era sociólogo de formação, exilado político durante a ditadura, e tinha uma capacidade rara de traduzir indignação em ação coletiva. Não era um revolucionário armado nem um burocrata de ONG. Era um comunicador nato que sabia usar a televisão, o rádio e a imprensa como instrumentos de mobilização. Quando aparecia na Globo com aquele rosto descarnado e aqueles olhos enormes dizendo "quem tem fome tem pressa", era impossível mudar de canal.
A campanha contra a fome foi o maior movimento de solidariedade da história brasileira. Mais de três milhões de pessoas participaram diretamente, milhares de comitês foram criados em todo o país. Betinho provou que a sociedade civil podia se organizar sem esperar pelo Estado — e que a vergonha coletiva, bem canalizada, era força política. Morreu em 1997, aos 61 anos, consumido pela AIDS numa época em que o coquetel antirretroviral ainda não chegava a todos. Mas morreu sabendo que tinha acordado um país.
## Legado
Betinho colocou a fome no centro do debate público brasileiro e provou que mobilização social funciona. A Ação da Cidadania inspirou políticas públicas de segurança alimentar que vieram depois — incluindo o Fome Zero. Mais que isso, ele restaurou a ideia de que cidadania é verbo, não substantivo: exige ação, não apenas indignação.
## Por que homenageamos
A lição de Betinho — de que tecnologia, informação e comunicação devem servir para resolver problemas reais das pessoas mais vulneráveis — é o coração do que defendemos. No brasileiro.tech, acreditamos que inovação sem compromisso social é apenas divertimento de privilegiados.
Ativismo