# Burle Marx
**Burle Marx** (1909–1994) olhou para os jardins brasileiros e viu um absurdo: num país com a maior biodiversidade do planeta, os paisagistas insistiam em plantar roseiras francesas e buxos europeus. Roberto Burle Marx — carioca de nascimento, filho de pai alemão — decidiu que aquilo era colonialismo botânico. Começou a usar palmeiras, bromélias, helicônias, filodendros e centenas de espécies nativas que seus colegas desprezavam como "mato". O resultado foi uma revolução: o paisagismo deixou de ser decoração e virou arte.
Seus jardins são composições abstratas feitas com plantas vivas. O calçadão de Copacabana — aquelas ondas pretas e brancas que o mundo inteiro reconhece — é dele. Os jardins do Aterro do Flamengo, do Ministério da Educação, da sede do Itamaraty em Brasília, do Parque do Ibirapuera — todos levam sua assinatura. Cada projeto era precedido por expedições botânicas ao cerrado, à mata atlântica, à caatinga, onde Burle Marx coletava espécies que depois cultivava em seu sítio de Santo Antônio da Bica, no Rio. O sítio — hoje patrimônio da UNESCO — abriga uma das maiores coleções de plantas tropicais do mundo.
Além de paisagista, Burle Marx era pintor, escultor, ceramista, cozinheiro e cantor de ópera amador. Tinha uma personalidade avassaladora — generoso, barulhento, apaixonado por beleza em todas as formas. Mas sua paixão mais profunda era a defesa da natureza brasileira. Décadas antes de o ambientalismo virar mainstream, ele já denunciava o desmatamento e lutava pela criação de reservas naturais. Morreu em 1994, aos 84 anos, deixando mais de três mil projetos paisagísticos e uma lição que o Brasil ainda está aprendendo.
## Legado
Burle Marx fez do paisagismo brasileiro uma referência mundial. Seus projetos são estudados em escolas de arquitetura e design de Nova York a Tóquio. Mais importante: ele demonstrou que a flora nativa não é inferior à europeia — é mais rica, mais diversa e esteticamente poderosa. O Sítio Burle Marx, tombado pela UNESCO em 2021, é seu testamento vivo.
## Por que homenageamos
Burle Marx mostrou que usar recursos próprios — em vez de importar soluções estrangeiras — não é limitação, é vantagem competitiva. O brasileiro.tech defende o mesmo princípio: soberania tecnológica construída a partir do que temos de melhor.
Artes