# Chico Mendes
**Francisco Alves Mendes Filho** (1944-1988) não era ambientalista de escritório. Era seringueiro — nasceu na floresta, viveu da floresta e morreu defendendo a floresta. Quando falava em preservação, não citava papers científicos: falava da castanha que alimentava sua família, dos rios que davam peixe, das árvores que sustentavam comunidades inteiras. Sua luta era ao mesmo tempo ecológica e de classe, numa época em que ninguém imaginava que essas duas coisas pudessem caminhar juntas.
Nos anos 1980, o Acre era uma terra sem lei onde fazendeiros avançavam sobre a floresta com motosserra e jagunço. Chico organizou os seringueiros em "empates" — protestos pacíficos em que homens, mulheres e crianças se colocavam diante das árvores para impedir o desmatamento. Era David contra Golias, mas David tinha razão e o mundo começou a perceber. Chico viajou para os Estados Unidos, falou no Senado americano, recebeu prêmios internacionais. A cada reconhecimento lá fora, crescia o ódio dos poderosos locais.
No dia 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes levou um tiro de espingarda ao sair para o quintal de sua casa em Xapuri. Tinha 44 anos. Sabia que iam matá-lo — havia dito isso publicamente várias vezes. Sua morte transformou a Amazônia em causa global e acelerou a criação das reservas extrativistas, modelo que ele próprio havia proposto: áreas protegidas onde a floresta é usada sem ser destruída.
## Legado
Chico Mendes deu ao mundo um conceito que hoje parece óbvio mas não era: desenvolvimento sustentável com protagonismo das comunidades locais. As reservas extrativistas que ajudou a criar protegem milhões de hectares de floresta até hoje. Sua morte não foi em vão — foi o catalisador que colocou a Amazônia no centro da agenda ambiental planetária.
## Por que homenageamos
Chico Mendes mostrou que defender a soberania sobre nossos recursos naturais exige coragem e visão de longo prazo. No brasileiro.tech, acreditamos que soberania tecnológica e soberania ambiental são faces da mesma moeda — e que o futuro do Brasil depende de protegermos ambas.
Ativismo