Na Avenida República do Líbano, em São Paulo, está a sede da Eztec — endereço que não é coincidência, mas declaração silenciosa de origem. Ernesto Zarzur, de família libanesa, trouxe ao mercado imobiliário brasileiro algo raro: a paciência como estratégia e a prudência como vantagem competitiva.
Em 1979, Ernesto fundou a Eztec junto com Flávio e Silvio Zarzur. Enquanto o setor imobiliário brasileiro sempre foi marcado por ciclos violentos de euforia e colapso — construtoras que cresciam vertiginosamente para depois desmoronar sob montanhas de dívida — a Eztec escolheu o caminho estreito e firme. Crescer devagar. Manter caixa. Nunca dever mais do que pode pagar. Construir com qualidade que dispensa marketing.
Quarenta e seis anos depois, o resultado fala por si: 192 empreendimentos, 5,8 milhões de metros quadrados, 45.600 unidades entregues e o título de incorporadora de capital aberto com maior rentabilidade do Brasil. Margens de 30% conquistadas não por preços inflados, mas por engenharia eficiente — cada metro de concreto pensado, cada processo certificado (ISO 9001, PBQP-H Nível A), cada desperdício eliminado.
A Eztec sobreviveu onde gigantes caíram. A crise de 2008, o colapso de 2014-2016, a pandemia — em cada tormenta, a disciplina financeira dos Zarzur transformou o que era conservadorismo em fortaleza. Enquanto concorrentes se endividavam para crescer, a Eztec crescia porque não se endividava. Em 2025, bateu recorde: 3.500 apartamentos lançados, R$ 2,4 bilhões em vendas, crescimento de 47%.
O IPO em 2007, no Novo Mercado da B3, provou que uma empresa familiar pode se profissionalizar sem perder sua alma. A governança corporativa mais rigorosa do mercado coexiste com a cultura de quem conhece cada terreno de São Paulo como a palma da mão — porque a Eztec nunca se dispersou. Fez de São Paulo seu território e o dominou com profundidade que nenhuma expansão nacional apressada poderia igualar.
Ernesto Zarzur não buscou holofotes. Construiu silenciosamente, tijolo por tijolo, uma empresa que ensina ao Brasil inteiro que solidez não é falta de ambição — é a forma mais inteligente de ambição.